sábado, 23 de outubro de 2010

Pesadelo Petista: Testemunha e declaração forjada desmentindo que Agnelo esteja envolvido em esquema de corrupção colocam em cheque candidatura do PT ao GDF. E mais denúncias e testemunhas estão por aparecer.

TESTEMUNHA-CHAVE AMEAÇA CANDIDATURA PETISTA DE AGNELO QUEIROZ AO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL. Foto da mansão de Agnelo em destaque.
 
 
Michael Alexandre Vieira da Silva é testemunha-chave da Operação Shaolin, na qual o candidato petista ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, é denunciado. Agnelo, que acusa a campanha de Weslian Roriz de comprar testemunhas, no entanto, lá atrás, comprou o silêncio de Vieira da Silva. A declaração de Michael, registrada em cartório, foi postada no Blog da Paola por intermédio de Agnelo Queiroz, nesta quinta-feira, 21. Nela, afirma que "são inverídicas as informações segundo as quais o Sr. Agnelo Queiroz teria recebido recursos ilícitos, conforme veiculado na revista Veja, edição 2057, de 23 de abril de 2008." O documento tem data de 22 de abril de 2008. O procurador e os delegados encarregados do inquérito da Operação Shaolin já tinham conhecimento da existência dessa testemunha. E o candidato ao tornar pública a declaração por intermédio de um blog materializa que houve a compra da testemunha por parte do candidato petista Agnelo Queiroz. As autoridades só aguardaram o ato de tornar pública a declaração para usá-la como constatação da compra da testemunha no inquérito. Inclusive, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara da Junta Federal, tinha conhecimento da existência de Michael. Tanto o procurador, quantos os delegados e o Judiciário só aguardavam o documento sair da gaveta de Agnelo e ser divulgado.

Bastou a imprensa noticiar que a Michael havia abandonado o programa de proteção à testemunha que o candidato ao governo do DF, Agnelo Queiroz, quis antecipar, na tentiva de se imunizar, publicando o documento no blog.

Michael encontrava-se no programa de proteção à testemunha no Estado do Acre. Ao fugir e indiganado ao saber que Agnelo se tornara candidato ao governo do DF, Michael se dirigiu a Brasilia para prestar depoimento e assim mostrar como o candidato ao governo do DF, Agnelo Queiroz, atuou no Ministério dos Esportes. Por isso, quando Agnelo soube que ele se encontrava na Capital publicou no Blog de Paola.

OPERAÇÃO SHAOLIN

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na quinta-feira, 1º de abril, abalando as estruturas da política do DF. Trata-se da Operação Shaolin, que prendeu cinco pessoas, teve como alvo duas organizações não-governamentais que receberam R$ 2,9 milhões do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes. Até 2006, a pasta era comandada por Agnelo Queiroz, pré-candidato do PT ao governo do DF. Dirigente das duas ONGs investigadas, o policial militar João Dias Ferreira, um dos presos nesta quinta-feira, foi candidato a deputado em 2006 pelo PCdoB, partido ao qual Agnelo era filiado à época.

Giancarlos Zuliani, um dos delegados do caso, já admitia a suspeita de que o esquema tivesse por objetivo financiar campanhas eleitorais. Ele afirmou, no entanto, que os dados referentes a essa vertente da investigação ainda estão sendo mantidos em sigilo. "Sobre isso ainda não posso falar", disse, à época. A Polícia Civil negava que o objetivo era atingir a possível candidatura de Agnelo Queiroz.

Durante a sucessão de denúncias contra o governo do DF, a Polícia Civil foi acusada de ter agido politicamente em favor do então governador, José Roberto Arruda, que em abril encontrava-se detido. Em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, delegados afirmaram ter sido pressionados a impedir investigações contra aliados de Arruda. Pelo menos três deles, que cuidavam de inquéritos sensíveis ao governo, acabaram exonerados das funções de chefia que exerciam na ocasião.

Naquele dia 1º de abril, a Polícia Civil também afirmou ter descoberto fortes indícios da existência de uma rede de ONGs, quase todas com ligações partidárias, criadas para desviar dinheiro de convênios com o governo federal. Contratos de pelo menos quatro dessas entidades já foram mapeados pelos investigadores. Uma delas possui convênio também com o Ministério da Ciência e Tecnologia.

KUNG FU

Só a Federação Brasiliense de Kung Fu e a Associação João Dias de Kung Fu, as duas ONGs dirigidas pelo policial militar João Dias Ferreira, receberam R$ 2,9 milhões do Ministério dos Esportes, por meio de dois convênios do Programa Segundo Tempo, criado para oferecer atividades esportivas a crianças carentes fora do horário escolar.

O primeiro convênio data de julho de 2005, quando Agnelo Queiroz ainda estava no ministério. O outro foi assinado em outubro de 2006, meses após Agnelo entregar o posto para Orlando Silva, também do PCdoB. Agnelo Queiroz trocou o PCdoB pelo PT em julho de 2008 e saiu-se vitorioso das prévias em que os petistas do DF escolheram seu então candidato ao governo.

Do total em dinheiro repassado pelo ministério às ONGs do policial, a Polícia Civil chegou ao desvio de R$ 1,9 milhão. Os encarregados do caso informaram que parte do dinheiro foi usada pelo policial para construir uma casa num condomínio de classe média alta nos arredores de Brasília e duas bem-equipadas academias de ginástica na cidade-satélite de Sobradinho. As academias teriam sido registradas em nome de laranjas.

O delegado Giancarlos Zuliani disse que a investigação começou em julho de 2008, após ação de busca e apreensão numa empresa de Brasília investigada exatamente por vender notas fiscais frias a entidades não-governamentais. Na operação, foram presos ainda um assessor e um suposto "laranja" do policial João Dias, o administrador de suas ONGs e o responsável pela empresa que fornecia as notas frias incluídas na prestação de contas apresentada ao Ministério dos Esportes. Bens de João Dias, dentre eles um carro de luxo, a casa e uma das academias supostamente construídas com o dinheiro desviado, foram sequestrados por ordem judicial.

MANSÃO

Ao longo da carreira política o candidato ao governo do DF, Agnelo Queiroz, conseguiu elevar seu patrimônio, inclusive adquirindo uma mansão em bairro nobre do Distrito Federal (em destaque na foto). De acordo com a declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2006, Agnelo Queiroz informou possuir R$ 45 mil em quatro contas bancárias e um apartamento no valor de R$ 78 mil. Todos os seus bens somavam R$ 224.300. Em um prazo Iinferior a quatro meses, Agnelo Queiroz deu uma entrada de R$ 150 mil para a compra de uma casa com mais de 500 metros quadrados de área construída em região valorizada em Brasília, o Setor de Mansões Dom Bosco, próximo ao Jardim Botânico. Na escritura do imóvel, o valor é de R$ 400 mil, quitado em cinco parcelas.

QuidNovi / Blog do Azul

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